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2 Abr: Dia Mundial Consciencialização do Autismo

O autismo é uma patologia do campo da saúde mental, especificamente é uma disfunção global do desenvolvimento.

Tem gerado controvérsia na sua caracterização, uma vez que os investigadores têm encontrado imensas dificuldades em unanimar o que provoca esta condição, seja no ramo da psicologia, psiquiatria ou neurologia.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde o autismo é caracterizado por uma alteração no funcionamento em três áreas, que devem ser observadas antes dos 3 anos de idade: interacção social, comunicação e comportamento. A fala e a linguagem encontram-se ausentes ou muito atrasadas, a compreensão do funcionamento da interacção social é limitada (seja com adultos ou com crianças) e a nível do comportamento há uma tendência a manter rituais que incluem o uso de objectos ou palavras estereotipadas.

Uma vez que é caracterizado como uma “disfunção global”, considera-se que o autismo é uma condição com algumas variantes que se distribuem por um espectro, de acordo com a “intensidade” com que o funcionamento nas três áreas se manifesta.

Para a psicanálise o autismo é caracterizado além das causas orgânicas e foca principalmente a afectação da comunicação entre o autista e o mundo que o rodeia. Utiliza-se a metáfora de uma concha, para ilustrar a forma como se protege do contacto com os outros. A criança não consegue reconhecer as vantagens da interacção social e fica retida na sua individualidade. Não quer dizer que não a deseje, mas pode sentir dificuldade com uma intensidade tal que nunca inicia a procura activa da interacção.

A prática clínica e a observação de bebés permitiram conceptualizar que na origem do autismo está uma dificuldade do bebé em ligar-se afectivamente aos cuidadores, seja na relação da mãe com o bebé durante a gravidez ou nos primeiros meses de vida. A estimulação materna nesta etapa do desenvolvimento é muito intensa: a mãe acaricia a barriga e canta para o feto, depois de nascer chama por ele, comunica-se com ele, mostra-lhe o prazer de estar em contacto com o mundo. Quando este elo não se estabelece, a propensão para o bebé ensimesmar-se é grande. Não que haja algo de errado com as mães, apenas a ligação não se estabelece de uma forma harmoniosa. Uma criança diagnosticada precocemente como autista pode tornar-se um adulto funcional, uma vez que é possível iniciar o treino das  habilidades sociais numa fase em que a flexibilidade interna é maior do que em idades avançadas.

Alguns sinais de alerta passam pela constatação de que o bebé ou a criança não procuram activamente a atenção de quem os rodeia, aparentam não reagir ao carinho dos adultos, não são expressivos nem aparentam “reclamar” alguma coisa. Com o tempo estes sinais evoluem para uma criança que dificilmente mantém o contacto ocular, raramente brinca com outras crianças ou estabelece amizades.

A integração destas crianças é possível quer no seio familiar, quer em contexto escolar, o que permite que alguns autistas que se tornem adultos funcionais, embora seja necessário um trabalho muito próximo com técnicos especializados em técnicas que ajudem o autista a organizar o seu dia em rotinas e roteiros. Estas técnicas ajudam a criança a organizar o seu dia de forma a manterem alguma autonomia, como por exemplo na higiene diária, na compreensão de um horário escolar na identificação de familiares e pessoas próximas (professores, técnicos, amigos da família, etc.)

Em Portugal a Federação Portuguesa de Autismo é uma das entidades que luta pelos direitos do autista. Para mais informações, visitar: http://www.appda-lisboa.org.pt/federacao