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21-Nov: Dia Mundial da Televisão

De todas as invenções concebidas, poucas são as que competem na liga da ‘Roda’, e o televisor é uma delas.
É uma Caixa de Pandora tecnológica, onde em tempos guardava tudo o que se podia imaginar; hoje em dia, guarda até aquilo que nunca se imaginou.

Em 1956 ensaiaram-se em Portugal, nos terrenos da defunta Feira Popular, as primeiras emissões televisivas, que culminaram com a oficialização das emissões regulares, a partir de 1957.

Se outrora era um luxo ter o dito aparelho, afortunados também são aqueles que puderam viver o antigamente de não o ter. Afortunados não por uma devoção saudosista, porque o passado já lá foi, mas porque o televisor se tornou um dado adquirido da contemporaneidade, e tudo o que é dotado de uma naturalidade quotidiana é improvável de ser alvo de reflexão. Já sabidas as inquestionáveis virtudes da TV (permitindo-me a este intimismo com tão nobre ícone), olhemos não para o aparelho, mas para o espectador.

O sujeito que expecta, sendo ele admirador de um objecto de valor tão dourado é ele também, sem dúvida alguma, dotado de imensas qualidades: curiosidade, bom humor, gosto excepcional por temas requintados, e todo um rol de faculdades. Saiba-se, contudo, que a mente humana funciona simultaneamente em dois registos – o útil e agradável -, e é no registo da utilidade que o espectador se trai.

Refiro-me à utilidade que o televisor tem na função de anular a função pensante do ser humano, uma anulação da capacidade criadora da mente e uma submissão à passividade intelectual.
Desengane-se quem defende que a televisão é inútil e corruptora da sociedade, porque a liberdade está nas mãos de quem a vê.

“Estamos condenados a ser livres, ser livre significa que somos nós, e só nós, os responsáveis pelas escolhas que fazemos.” Jean-Paul Sartre