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24-Nov: Dia Nacional da Cultura Científica – Pela boa prática clínica

A qualidade e valor científico da prática clínica em psicologia em Portugal é um dos temas que têm vindo a ser progressivamente debatidos e defendidos com afinco, seja para defesa dos técnicos, seja para defesa dos utentes, processo que ganhou alento desde a constituição da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Com o constante incremento de meios de divulgação de informação e com o aumento exponencial de formados em psicologia (o que não habilita de imediato o licenciado à prática clínica da psicologia) a qualidade dos serviços tem ficado em risco, quer pela fraca qualidade de informação que é divulgada ao público como científica, quer pelas oportunidades falaciosas de formação  que são disponibilizadas aos técnicos. Seja por necessidades econónimas ou de auto-proclamação, a massificação do termo ?terapia? diminuiu drasticamente a qualidade dos serviços.

Para os utentes dos serviços de psicologia é necessário ter em conta vários aspectos associados a factores de formação do técnico. Um profissional que se denomine como psicólogo deverá ser possuidor de uma de cédula profissional que poderá ser verificada quando pedido pelo utente. Ademais, quando o profissional possui uma formação numa vertente de psicoterapia deverá ser verificado se esta foi feita numa sociedade científica certificada pelas respectivas entidades reguladoras europeias e/ou internacionais, uma vez que a denominação ?psicoterapeuta? não é legislada em Portugal. Embora muitos espaços clínicos publicitem a formação em determinadas áreas de psicoterapia, raras vezes são exigidos pré-requesitos para aceder à suposta formação, nomeadamente a experiência clínica do candidato, a supervisão graduada a que é submetido e, um último factor de carácter crucial, o facto de o próprio técnico ter feito a sua própria terapia, o que será um factor decisivo para a capacidade de pensar cientificamente os casos que acompanhará.

A psicologia é, acima de tudo, uma ciência e não um negócio.

Seja pelo direitos dos técnicos, seja pelos direitos dos utentes, ambos deverão ser responsáveis pela qualidade das suas escolhas.