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A Criança Dentro de Nós

A evolução das sociedades facilitou o acesso a tudo o que a mente se arrisque a desejar, sem a dificuldade que sempre se tentou anular.

Aliás, hoje em dia está tudo ao alcance da ponta dos dedos, o que deixa a lamentar a ilusão de que são mais emocionais do que o coração.

É o mundo prêt-à-désirez, desejar e levar, o que também facilita imenso escolher a doença mental de que se há-de padecer. Seja por modas ou por catálogo, só não é doente mental quem não quer!

A relação da criança com estas questões está assente na qualidade do funcionamento do pensamento que se incute nas relações humanas.

Com a progressão das sociedades a visão da criança evoluiu da concepção tribal de estas serem um adulto em miniatura a aguarda a passagem do tempo para estar apto a um ritual de passagem que, ao estar concretizado, conferiria ao pequeno a qualidade de adulto. Percebeu-se que o crescimento é progressivo, sem ruptura, e demora algum tempo porque é necessário aprender com a experiência da vida.

Neste sentido, o adulto nunca deixa de ter uma criança interior, apenas adquire mais conhecimento que com a aprendizagem adquire competências mais eficazes do que o pensamento infantil.

Apesar de nem sempre ser fácil recordar os primeiros anos de vida, estes podem ser compreendidos a observar a omnipotência que as crianças anseiam, e o desejo insaciável de ter tudo. Em linguagem de adultos a palavra técnica que descreve este mecanismo da economia mental, na economia social é a palavra ‘crédito’, que tão falado se tem tornado pela desvantagem que trouxe a toda uma aldeia global.

O ponto fraco do funcionamento-a-crédito é o simples facto que alimenta a criança interna, que não tolera a frustração do ‘não possuir’, nem da necessidade de ‘viver para aprender’; pequenas ilusões que no mundo dos adultos acarreta um pormenor que não existe no mundo das crianças: consequências e responsabilização pelos próprios actos.

Um adulto com uma ‘doença mental’ não é mais do que uma criança que sofre com ela própria, que por ter sido incompreendida também ela não se compreende.

E como o sofrimento cega o pensamento, o sofrimento-doença mental é a face de uma criança interna que não sabe como crescer nem pensar como um adulto – aquele cujo pensamento promove a mudança e uma transformação positiva.