You are currently viewing A Política das Histórias de Criança no Dia de Portugal

A Política das Histórias de Criança no Dia de Portugal

A gestão que se faz da vida revela o íntimo de uma pessoa. De uma forma ou outra, todos somos gestores de alguma coisa, independentemente do número de indivíduos que possam estar implicados, muito embora a maior administração que se faça seja a da própria vida. É uma espécie de política de “one-man-show”, em que se acumulam os cargos de gerente e administrador, e as opções que se tomam supostamente deveriam afectar principalmente a própria vida.

A vida é feita de escolhas, opções que se antecipam consequências e caminhos que devem ser abertos, escolhas motivadas pela (in)experiência, que começa a ser arquitectada desde cedo. Diria, em termos latos, que existem dois sentidos na vida, que podem ser timonados de três maneiras. Quando se está em época de miúdo, quando pouco se conhece e o mundo é pequeno, tudo é subjectivo e, portanto, a vida é encarada como um resultado dos próprios medos e desejos. É uma espécie de fundamentalismo inocente, em que a vida é motivada unicamente por dilemas pessoais.

No passar do tempo, o mundo cresce e encobre a pequenez da individualidade. Se o carácter for forte e humilde o suficiente para amadurecer, consegue-se perceber que mesmo na insignificância que é ser mais uma pessoa pode ter-se grandeza suficiente. Compreende-se que a vida vai além das motivações pessoais, e que estão em jogo dilemas abrangentes.
Se não se consegue reconhecer essa força interior a criança não cresce, torna-se uma pessoa grande, sem grande fundamento. Resta um fundamentalista à procura de poder. É que quem não encontra essência dentro de si, vive para convencer os outros do que não tem.

Se a fraqueza é grande, e a sede de poder é ainda maior, pode fazer-se do controlo do medo uma tarefa para a vida, uma espécie de profissão. É a doce ilusão de que caso se consiga governar os outros, talvez a própria vida tenha manejo, um pouco como a criança que só se sente segura quando os grandes estão convencidos. É assim que funciona a lei na vida das crianças – é necessário controlar os outros para sentir segurança. Se a criança se sente pobre nas relações que tem, se os amigos não existem, apenas lhe resta ser adulto medroso e solitário, compensado com sócios.

É uma espécie de lei da vida, daquela onde se faz um adulto que para governar se confunde com a própria lei, mas, neste poleiro, perdem-se os limites. A única coisa que salva o adulto é o moralismo para justificar os procedimentos, mas não há razão que explique as motivações e os objectivos.

É difícil não ter medo de ser adulto, se calhar é mais fácil tentar ser grande…