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Assuntos de Mulher: Anorexia e Bulimia

As perturbações alimentares são condições que se observam principalmente no sexo feminino e designam um conjunto de comportamentos sintomáticos daquilo que é visto, na psicanálise,  como uma personalidade que manifesta o seu sofrimento emocional através relação com o alimento.

Em termos latos, a Anorexia traduz-se numa alimentação em que na dieta a restrição alimentar é levada ao extremo, provocando um emagrecimento mórbido e complicações de saúde decorrentes de uma malnutrição.   A Bulimia refere-se, também à adopção de um estilo alimentar que é caracterizado por períodos de ingestão alimentar compulsiva, seguidos por uma necessidade desmesurada de perder peso, principalmente pela indução de vómito, pela ingestão desmesurada de produtos dietéticos para o efeito ou pela manutenção de uma actividade física desmedida. É frequente que ambas as situações ocorram na mesma pessoa, em ciclos ou em fases de vida distintas.

Numa abordagem ligeira observa-se que o conflito mais vincado na pessoa afectada por uma perturbação alimentar se revela numa gestão da auto-estima, na necessidade de manter uma imagem “perfeita”, objectivos que estão sempre a fracassar, e por isso a pessoa vive constantemente sentimentos de frustração e tristeza. Olhando prudentemente a desordem que sustenta  esta cobertura visível, encontra-se uma necessidade muito mais forte: a necessidade de controlar, por um lado, a auto-imagem do feminino (e não auto-estima) e, de outro ângulo, o sentimento penetrante de vulnerabilidade numa relação de amor.

Embora subsista uma tendência ao isolamento, a pessoa mantém o desejo de estabelecer relações de intimidade, apesar de tal pretensão ser assombrada por este conflito interno difícil de compreender.

Então, o eixo central do sofrimento em questão está assente no medo de rever na imagem do corpo a imagem interna de mulher, conceito que é difícil de aceitar. Entre as várias hipóteses que pairam no inconsciente destas pessoas, pode encontrar-se, por exemplo, o medo de a jovem sentir que ser do sexo feminino é repudiável porque não teve contacto com alguém que fosse um exemplo confiável. Aliás, estas perturbações começam a manifestar-se exactamente na puberdade, altura em que o corpo revela inevitavelmente a sexualidade da rapariga. O ataque feito ao próprio corpo pela negação do alimento e pela destruição das formas femininas são o reflexo desta confusão.

Face a esta auto-imagem fragilizada, também a vivência de uma relação plena numa relação conjugal provoca sentimentos penetrantes e que abarrotam no mais intimo recanto da alma.

Citando Saint-Exupery, “Só se vê bem com os olhos do coração; o essencial é invisível aos olhos”, e na dificuldade de ver e gerir os sentimentos, a anoréctica/bulimica tenta controlar os sentimentos que alimentam a alma.

            Os sinais visíveis que podem indiciar uma problemática deste género são:

  • Perda acentuada de peso;
  • Irritabilidade no contacto com as pessoas;
  • Necessidade excessiva de controlar a alimentação;
  • Tristeza profunda manifesta;
  • Comportamentos de indução de vómito;
  • Perda de libido e rejeição de afecto por parte de pessoas próximas;
  • Perda da menstruação.

Caso este tipo de sinais sejam identificados no comportamento de alguém deve evitar-se tentar dar uma ajuda forçada, porque embora exista a vontade de ajudar, o resultado vai ser num agravamento da recusa da situação. A abordagem que mais sensibiliza as pessoas afectadas consiste na sugestão de ida ao médico para compreender a situação e para encontrar uma solução para atingir os objectivos sem danificar a saúde, ao invés de forçar a ida ao médico para “curar um problema”.