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Dia Internacional da Família

Na Roma antiga consideravam-se os parentes por matrimónio ou ligados pelo sangue como a “família natural”. Actualmente, na sociedade ocidental, apesar da categorização não ser estanque nesse sentido, processa-se principalmente sobre esse fundamento. Embora a referência romana à naturalidade dos laços permita interpretações diversas, possivelmente pretenderia transmitir a ideia de que esses laços seriam os mais puros.

Compreende-se, parcialmente, a utilização do adjectivo “natural”, mas torna-se ambíguo na medida em que apenas o matrimónio é um acto produzido pela livre vontade de duas pessoas, enquanto que a filiação não permite uma escolha activa; pelo menos em famílias biológicas, uma vez que em casos de adopção o “futuro filho” tem algum poder de decisão sobre os “futuros pais”, o que, sendo uma escolha livre por ambas as partes, torna-se mais natural do que a filiação biológica. De qualquer das formas, quer as famílias biológicas, quer as adoptivas devem desempenhar um papel de acolhimento. Neste sentido, o conceito de família não é mais uma questão de um estatuto biológico, mas uma questão de quem tem a capacidade de acolher com qualidade o papel de educador, porque ser filho não se escolhe, e ser uma figura parental sim.  A família não é necessariamente o berço que gera uma criança, mas está nos braços que a aceitam.

A opção de escolha, que também é uma das condições determinantes do ser humano, traz liberdade mas acarreta responsabilidades, e naturalmente aqui se encontra a posição de figura parental. Este é um papel determinante na forma como a criança se sente no mundo porque, se em algum contexto a expressão “o primeiro impacto é o que mais conta” terá sentido, então será neste. A família edifica o primeiro exemplo do mundo, e tendencialmente funciona como a referência pela qual a criança se tenta encontrar; é quem imita para aprender e idealiza para ser.

É nas relações de qualidade que a criança estabelece com quem lhe é próximo que constrói a sua personalidade, as suas características internas que a permitirão lidar com a vida. Esta união de pessoas funciona como o primeiro ciclo da escola da vida, quando as bases são ensinadas com defeito, os anos subsequentes tornam-se um desafio difícil de suportar.  Não só os anos de criança se tornam difíceis, viver enquanto adulto com mazelas antigas torna-se doloroso, criam-se ciclos inquebráveis e, ainda que o corpo pareça de gente grande, o coração sente como gente pequena.